Backdoor de fábrica em dispositivos Android AOSP e a rede de proxy residencial que ele alimenta
Backdoor implantado na cadeia de fabricação de aparelhos Android de baixo custo, que converte o equipamento em nó de proxy residencial e em plataforma de fraude publicitária. O Brasil concentra mais de um terço dos dispositivos infectados observados, o que torna a ameaça um problema de rede local, e não uma notícia estrangeira. Trate cada dispositivo não certificado na rede como não confiável por origem, porque restauração de fábrica não remove a infecção.
O dispositivo chega comprometido de fábrica: o backdoor vive na imagem de sistema, e restauração de fábrica não o remove [4]. A consequência operacional é que nenhuma ação de limpeza sobre o aparelho resolve o problema. A contenção precisa acontecer na camada de rede, por bloqueio de comando e controle e por segmentação, enquanto o aparelho é substituído.
BADBOX 2.0 é uma operação de fraude construída sobre um backdoor pré-instalado em aparelhos Android de baixo custo, divulgada pela equipe Satori, da HUMAN Security, em 5 de março de 2025, em conjunto com Google, Trend Micro e Shadowserver [1]. Os aparelhos afetados são dispositivos do AOSP (Android Open Source Project) sem certificação Play Protect, ou seja, caixas de TV conectada, tabletes, projetores digitais e centrais multimídia automotivas de reposição [1]. A operação é a maior botnet de dispositivos de TV conectada já documentada [1], e sucede a campanha BADBOX, divulgada pela mesma equipe em 2023.
Este relatório não descreve uma detonação em laboratório. Ele é um perfil de ameaça construído sobre fonte aberta verificada, e existe por um motivo específico: o Brasil concentra mais de um terço dos dispositivos infectados observados pela plataforma da HUMAN [1]. Uma ameaça cuja maior massa de vítimas está no país precisa ser lida como risco de rede local.
O número de um milhão de dispositivos é a estimativa da HUMAN para janeiro de 2025 [1]. Em julho de 2025, ao processar os operadores, o Google declarou mais de dez milhões de aparelhos comprometidos [8]. A célula de remoção por restauração de fábrica, no painel acima, registra um zero deliberado: nenhuma das fontes consultadas descreve o reset como medida eficaz, e a autoridade irlandesa afirma o contrário de forma explícita [4].
As recomendações deste relatório estão ordenadas pelo que a instituição de fato controla. A seção 08 vai da fonte de telemetria mais barata e abrangente para a mais cara. A seção 09 segue o ciclo de incidente, e termina em prevenção estrutural, porque é nela, e não na resposta, que esta ameaça específica se resolve.
Não houve submissão a sandbox, aquisição de aparelho nem análise de amostra por esta equipe. Todo o conteúdo técnico é inteligência de fonte aberta, extraída das referências [1] a [9] e conferida contra o texto original de cada uma. Não trate o que segue como prova pericial de um incidente local, e não abra um chamado de resposta a incidente citando este documento como evidência. Ele serve para orientar caça e resposta, e cada achado precisa ser confirmado no seu próprio ambiente antes de sustentar qualquer conclusão.
| Campo | Valor |
|---|---|
| Nome da operação | BADBOX 2.0 [1] |
| Backdoor | BB2DOOR, nomeado pela biblioteca libanl.so [1] |
| Linhagem | Derivado de Triada, como o backdoor da campanha BADBOX [1] |
| Classe | Backdoor modular com carregador nativo e módulos de fraude [1] |
| Plataforma | AOSP, sem certificação Play Protect [1] |
| Vetor primário | Cadeia de suprimento, imagem de sistema de fábrica [1] [4] |
| Divulgação | HUMAN Satori, 5 de março de 2025 [1] |
| Alerta oficial | FBI IC3, I-060525-PSA, 5 de junho de 2025 [3] |
| Família relacionada | Vo1d, descrita pela Dr.Web em 2024 [6] |
| Hashes de amostra | n/d, nenhuma fonte consultada publicou hash verificável |
As fontes descrevem quatro grupos distintos e cooperativos, e não um ator único [1]. O Google nomeia réus na China na ação civil de julho de 2025 [8], e a Trend Micro associa um dos grupos, o Lemon Group, a operações anteriores de firmware pré-infectado [7]. Nenhuma das fontes atribui a operação a um Estado, e este relatório também não o faz. Trate BADBOX 2.0 como crime financeiro organizado, porque é assim que ele se comporta e é assim que a resposta deve ser dimensionada.
Entender BADBOX 2.0 exige distinguir duas coisas que o mercado vende sob o mesmo nome comercial de Android. O AOSP é a base livre do sistema, que qualquer fabricante pode compilar e embarcar sem passar por auditoria. Android TV OS e os aparelhos certificados Play Protect são produtos licenciados, submetidos a testes de segurança e compatibilidade pelo Google [1].
Essa distinção é o que separa o aparelho afetado do aparelho seguro, e ela se manifesta em três pontos práticos:
O resultado é um dispositivo que funciona exatamente como anunciado. Os aplicativos com backdoor se comportam como esperado, ou seja, um aplicativo de espelhamento de tela realmente espelha a tela, o que torna a percepção do problema pelo usuário comum bastante improvável [1].
Não classifique esses aparelhos como estações de trabalho no inventário de ativos, e não conte com agente de EDR (Endpoint Detection and Response) neles. São dispositivos AOSP não gerenciados, sem MDM (Mobile Device Management), sem agente e frequentemente em versões antigas do Android [6]. Se a política da instituição só reconhece o que tem agente instalado, esses aparelhos são invisíveis por construção, e o único lugar onde eles aparecem é no tráfego de rede.
BADBOX 2.0 não é obra de um grupo. Os pesquisadores da Satori identificaram quatro conjuntos de atores, ligados entre si por infraestrutura de comando e controle compartilhada e por vínculos comerciais [1]. Essa estrutura importa para a defesa: cada grupo monetiza o mesmo aparelho de um jeito, então um único dispositivo comprometido pode gerar simultaneamente tráfego de proxy, requisições de anúncio e cliques fraudulentos.
| Grupo | Papel na operação |
|---|---|
| SalesTracker Group | Considerado responsável pela campanha BADBOX original. Em BADBOX 2.0, montou e administrou a infraestrutura de comando e controle e disponibilizou recursos aos demais grupos. O nome vem do módulo falso de monitoramento de vendas usado para disfarçar o backdoor baseado em Triada [1]. |
| MoYu Group | Desenvolveu o backdoor de BADBOX 2.0, coordenou suas variantes, operou uma botnet formada por parte dos dispositivos infectados, manteve campanha de fraude de clique e ofereceu o serviço de proxy residencial que dá nome ao grupo [1]. |
| Lemon Group | Grupo sediado na China, já descrito pela Trend Micro em 2023 por embarcar o implante Guerrilla em firmware de fábrica [7]. Em BADBOX 2.0, aparece ligado aos serviços de proxy residencial e a uma campanha de fraude publicitária sobre sites de jogos HTML5 [1]. |
| LongTV | Marca da Longvision Media, empresa da Malásia que fabrica dispositivos de TV conectada e desenvolve aplicativos para eles. Aplicativos LongTV pré-instalados abriam WebViews ocultas que carregavam anúncios invisíveis ao usuário [1]. |
O serviço de proxy residencial do MoYu era anunciado a 13,64 dólares por 5 GB de tráfego roteado [1]. O preço é o dado mais revelador da seção, porque define o modelo de negócio: o aparelho da vítima é um insumo barato e renovável, e quem compra o acesso não é necessariamente quem infectou o aparelho.
Dentro da botnet do MoYu, os operadores usavam um identificador chamado channel para agrupar permutações de backdoor e configuração de comando e controle. Os pesquisadores identificaram 20 canais distintos, controlando mais de 83 mil dispositivos [1]. Esse número descreve apenas a botnet específica do MoYu, e não o total de infectados pela operação.
O backdoor que sustenta a operação chega ao aparelho por três vias distintas [1]:
A terceira via é a que mais interessa a quem defende uma rede institucional, porque ela não depende de compra de hardware suspeito. Um aparelho legítimo pode ser comprometido por um aplicativo baixado fora da loja oficial, e a orientação do FBI sobre mercados de aplicativos suspeitos nasce exatamente daí [3].
A cadeia de execução descrita pela Satori tem etapas bem delimitadas [1]:
com.hs.app, sepultada no código-fonte do aplicativo portador, carrega a biblioteca nativa libanl.so;libanl.so baixa e instala arquivos JAR responsáveis por manter o canal com o comando e controle e por garantir a permanência no aparelho;p.jar e q.jar, com os artefatos .oat correspondentes;q.jar responde por impedir a remoção do backdoor, e a função com.hs.cld.Main, dentro de p.jar, baixa novos módulos de fraude e novos backdoors dos servidores de comando e controle.Na campanha BADBOX original, o ponto de implante era o arquivo libandroid_runtime.so, do próprio Android, modificado pelos operadores. A migração para libanl.so é a mudança técnica que a Satori aponta como aprimoramento da segunda campanha [1]. No trabalho de engenharia reversa, a equipe identificou o algoritmo XXTEA na ofuscação do backdoor, reconhecível pela constante DELTA exibida como -0x61c88647 na desmontagem [2].
A Satori considera o BB2DOOR associado ao Vo1d, descrito pela Dr.Web em 2024, com base no uso comum de libanl.so. A diferença que a própria fonte registra é de alcance: o Vo1d se limitava a caixas de TV conectada, enquanto o BB2DOOR atingiu também tabletes, projetores e centrais automotivas [1]. O Vo1d infectou cerca de 1,3 milhão de aparelhos em 197 países, e o Brasil foi o país mais afetado também nessa campanha [6].
Em um servidor de comando e controle exposto, os pesquisadores encontraram a lista de APKs do backdoor. A nomenclatura dos arquivos é sistemática e informa duas coisas [1]:
AppStore, HiCast, Launcher, MirrCast, PadLauncher e Update. Os dois que contêm cast correspondem a aplicativos de espelhamento de tela;713M, associado a um projetor digital específico, e TP3002O, associado a um dispositivo de TV conectada.Os pesquisadores observaram quatro modelos distintos de fraude viabilizados pelo acesso privilegiado persistente do BB2DOOR [1]. A ressalva que a própria fonte faz é importante para dimensionar o risco: os operadores não estão limitados a esses quatro, porque têm capacidade técnica de enviar ao aparelho qualquer funcionalidade, carregando um APK de sua escolha ou mandando o dispositivo executar código [1].
| Esquema | Funcionamento e escala |
|---|---|
| Proxy residencial | Venda do endereço IP do aparelho sem permissão do usuário. O módulo herda o código de recuperação de instruções do pacote com.debby.devour, usado em BADBOX, com domínios trocados para evadir detecção, e acrescenta um segundo componente de proxy em domínios e portas diferentes [1]. |
| Anúncios ocultos | Aplicativos de conteúdo pré-instalados, desenvolvidos pela LongTV, contatam um servidor próprio que injeta código para requisitar e renderizar anúncios invisíveis ao usuário. No pico, o esquema representou 5 bilhões de requisições fraudulentas de lance por semana [1]. |
| WebViews ocultas | O aparelho recupera o pacote com.mz.sdk do comando e controle, abre janelas de navegador invisíveis e executa uma lista de instruções em JavaScript que simula rolagem, aceitação de cookies e cliques, antes de navegar até sites de jogos HTML5 dos operadores. A Satori identificou perto de mil desses sites [1]. |
| Fraude de clique | Cargas em JavaScript entregues pelo comando e controle do MoYu direcionam o aparelho a domínios de baixa qualidade controlados pelos próprios operadores, onde clicam em anúncios hospedados na página [1]. |
No esquema de anúncios ocultos, os pesquisadores identificaram 24 aplicativos gêmeos maliciosos, com contrapartes na Play Store que compartilham o mesmo nome de pacote, técnica que a Satori havia descrito na divulgação Konfety, de 2024 [1]. A versão publicada na loja oficial não contém os módulos fraudulentos, o que é relevante para não condenar o aplicativo legítimo pelo nome.
O risco maior não está no roteamento em si, e sim no que terceiros fazem com ele depois de comprar o acesso. As fontes listam os seguintes ataques a jusante [1] [4]:
A autoridade irlandesa descreve ainda um módulo de coleta de dados, que reúne aplicativos instalados, endereços IP e MAC, geolocalização, identificador do dispositivo, IMEI e versão do Android [4]. A Trend Micro havia documentado, no implante Guerrilla do Lemon Group, um plugin de SMS que intercepta senhas de uso único de aplicativos de mensagens, redes sociais e comércio eletrônico [7].
Um ataque conduzido por proxy residencial chega à sua aplicação com o endereço IP de uma residência brasileira comum, sem reputação ruim e sem pertencer a faixa de nuvem ou de VPN comercial. Controle antiabuso baseado em reputação de IP ou em bloqueio de faixas de datacenter não detém este tráfego, e concluir o contrário é o erro mais provável na leitura deste relatório. A detecção precisa migrar para sinais de comportamento, como velocidade de tentativas, coerência de dispositivo e padrões de sessão.
Em janeiro de 2025, a Satori estimava mais de um milhão de dispositivos infectados no mundo, com tráfego associado à operação vindo de 222 países e territórios [1]. Em julho de 2025, ao entrar com ação civil contra os operadores em corte federal de Nova York, o Google declarou mais de dez milhões de aparelhos comprometidos, e pediu medida judicial para desmontar a infraestrutura da operação [8].
Um milhão e dez milhões medem coisas diferentes, em datas diferentes e por metodologias que as fontes não detalham por completo. Não apresente os dois como se um corrigisse o outro, nem some estimativas de fontes distintas. Use o valor da HUMAN quando falar da telemetria de janeiro de 2025 [1], e o do Google quando falar do escopo da ação judicial de julho de 2025 [8], sempre citando a data junto.
A concentração geográfica é o dado que justifica este relatório. Mais de um terço dos dispositivos infectados observados pela plataforma da HUMAN está no Brasil, onde aparelhos AOSP de baixo custo são particularmente populares [1]. Estados Unidos, México, Argentina e Colômbia aparecem em seguida com números expressivos [1]. A campanha Vo1d, tecnicamente aparentada, também teve o Brasil como país mais afetado [6].
Os dados de sinkhole confirmam a escala por outro caminho. A Bitsight, ao assumir domínios da campanha, registrou mais de 160 mil endereços IP únicos em 24 horas e observou modelos até então não associados à operação, incluindo televisores de marcas conhecidas [5]. A Shadowserver coordena o sinkhole de BADBOX 2.0 e distribui a telemetria resultante a equipes nacionais de resposta [4].
O efeito prático dessa distribuição é o que a autoridade irlandesa documenta. Recebendo dados do sinkhole da Shadowserver, o CSIRT-IE contabilizou 10.053 endereços IP irlandeses conversando com a infraestrutura de BADBOX 2.0, contra 260, 203, 200 e 138 endereços para as outras quatro famílias monitoradas no mesmo levantamento [4]. Em um país com população bem menor que a brasileira, BADBOX 2.0 sozinho supera em mais de uma ordem de grandeza qualquer outra família da lista.
A ordem desta seção vai do mais barato e abrangente para o mais caro e específico. Ela começa em telemetria de rede porque, como estabelecido na seção 03, os aparelhos afetados não comportam agente de endpoint, então a caça automatizada por varredura não está disponível. A inspeção do próprio aparelho aparece por último, na seção 8.6, porque exige acesso físico ou administrativo e não escala.
As regras de detecção abaixo foram derivadas dos comportamentos e indicadores que as fontes documentam, e não de execução de amostra por esta equipe. Nenhuma delas foi validada contra tráfego real ou amostra em laboratório. Trate cada uma como ponto de partida a ser ajustado e medido no seu ambiente antes de entrar em produção com alerta ativo, em especial as regras 8.2 e 8.5, cujos falsos positivos dependem inteiramente da sua base instalada.
É a fonte com melhor relação entre custo e cobertura, porque o backdoor resolve nomes antes de qualquer outra coisa. Consulte os domínios da seção 10 contra o histórico de resoluções.
index=dns query IN ("catmore88.com","ipmoyu.com","coslogdydy.in",
"app-goal.com","ads-goal.com","1ztop.work",
"yydsmr.com","logcer.com","cbpheback.com")
| stats count, dc(query) AS dominios, values(query) AS quais BY src_ip
| sort - count
DnsEvents
| where Name has_any ("catmore88.com","ipmoyu.com","coslogdydy.in",
"app-goal.com","1ztop.work","yydsmr.com")
| summarize Total=count(), Primeira=min(TimeGenerated),
Ultima=max(TimeGenerated) by ClientIP, Name
| order by Total desc
O dispositivo infectado contata o comando e controle assim que é ligado, sem qualquer ação do usuário [4]. A consequência para a triagem é que a resolução tende a ser recorrente, e não pontual: espere o mesmo endereço interno consultando os mesmos nomes dia após dia. Ocorrência baixa e isolada merece verificação antes de virar incidente, porque pode ser resolução de terceiro ou ruído de cache compartilhado.
A consulta acima é específica de plataforma. A regra Sigma abaixo expressa a mesma lógica de forma portável, para conversão ao backend de SIEM que a instituição usar. Ela consome registro de consulta do resolvedor recursivo, e não telemetria de endpoint, porque o aparelho afetado não tem agente.
title: Resolucao de dominio de comando e controle BADBOX 2.0
id: 8f3c1d94-1b7a-4c6e-9a21-7d5e2f0c4b83
status: experimental
description: >
Detecta consulta DNS, a partir da rede interna, a dominios de comando e
controle e de apoio a fraude atribuidos a operacao BADBOX 2.0. Voltado ao
log do resolvedor recursivo, porque os dispositivos afetados sao AOSP nao
gerenciados e nao comportam agente de endpoint.
references:
- https://www.humansecurity.com/learn/blog/satori-threat-intelligence-disruption-badbox-2-0/
- https://www.bitsight.com/blog/badbox-botnet-back
author: CiberLab, Ciencia Embarcada
date: 2026/09/11
tags:
- attack.command-and-control
- attack.t1437.001
- attack.t1604
logsource:
category: dns
detection:
c2_principal:
query:
- 'catmore88.com'
- 'ipmoyu.com'
- 'admoyu.com'
- 'moyu88.xyz'
- 'bltproxy.com'
- 'bullet-proxy.com'
apoio_fraude:
query:
- 'app-goal.com'
- 'ads-goal.com'
- '1ztop.work'
- 'tvsnapp.com'
- 'pixelscast.com'
sinkhole_e_legado:
query:
- 'coslogdydy.in'
- 'yydsmr.com'
- 'logcer.com'
- 'cbpheback.com'
condition: c2_principal or apoio_fraude or sinkhole_e_legado
falsepositives:
- Resolvedor compartilhado que atende rede de terceiros, onde a origem
registrada nao identifica o dispositivo real
- Ferramenta de pesquisa de ameacas ou sandbox interna resolvendo os
dominios de proposito
level: high
Regras de exemplo para Suricata. A primeira cobre a consulta de DNS, a segunda os caminhos de URI em claro observados pela Bitsight na infraestrutura da família, e a terceira o certificado TLS autoassinado compartilhado por dezenas de domínios [5].
# 1. Consulta DNS a dominio de comando e controle BADBOX 2.0 [1]
alert dns $HOME_NET any -> any any (
msg:"CIBERLAB BADBOX2 consulta a C2 conhecido";
dns.query; content:"catmore88.com"; nocase; endswith;
classtype:trojan-activity; priority:1;
sid:9000201; rev:2;
)
# 2. Caminho de URI de registro de terminal, observado em C2 [5]
alert http $HOME_NET any -> $EXTERNAL_NET any (
msg:"CIBERLAB BADBOX2 registro de terminal em C2";
flow:established,to_server;
http.method; content:"POST";
http.uri; content:"/terminal/client/register"; startswith; nocase;
classtype:trojan-activity; priority:1;
sid:9000202; rev:1;
)
# 3. Certificado TLS autoassinado compartilhado pela familia [5]
alert tls $HOME_NET any -> $EXTERNAL_NET any (
msg:"CIBERLAB BADBOX2 certificado TLS da familia";
tls.cert_fingerprint;
content:"5b:3a:a6:59:cb:8d:ec:e5:c9:a1:4d:60:5c:68:a4:32:b7:73:96:9c";
classtype:trojan-activity; priority:1;
sid:9000203; rev:1;
)
/terminal/client/apiInfo
/terminal/client/register
/ota/api/conf/v1
/ota/api/tasks/v2
Onde não houver visibilidade de DNS, procure no NetFlow o padrão que o proxy residencial produz: sessões de longa duração, saindo de um endereço interno para destinos muito variados, com volume de dados descolado de qualquer uso humano do aparelho. Uma caixa de TV que conversa com centenas de destinos distintos por hora não está transmitindo vídeo.
A Bitsight registrou um certificado TLS autoassinado compartilhado por dezenas de domínios da família, com impressão digital 5b3aa659cb8dece5c9a14d605c68a432b773969c [5]. Onde houver registro de metadados de TLS, essa impressão é um indicador de alta confiança e baixo falso positivo, e é a base da terceira regra da seção 8.3.
Aplicável apenas a quem consiga extrair o APK portador ou a biblioteca nativa do aparelho, o que exige o acesso administrativo descrito na seção 8.6. A regra combina os identificadores de classe e de arquivo que a fonte primária documenta com a constante DELTA do XXTEA apontada no relato de engenharia reversa [2].
rule BADBOX2_BB2DOOR_Loader
{
meta:
description = "Artefatos do carregador BB2DOOR da operacao BADBOX 2.0"
author = "CiberLab, Ciencia Embarcada"
date = "2026-09-11"
reference = "https://www.humansecurity.com/learn/blog/satori-reverse-engineering-badbox-2/"
confidence = "derivada de OSINT, sem validacao contra amostra"
tlp = "TLP:CLEAR"
strings:
// Classe portadora e funcao de descarga de modulos [1]
$class_loader = "com.hs.app" ascii
$class_main = "com.hs.cld.Main" ascii
// Biblioteca nativa modificada que da nome ao backdoor [1]
$lib = "libanl.so" ascii
// Artefatos lancados a partir das cadeias cifradas [1]
$jar_p = "p.jar" ascii
$jar_q = "q.jar" ascii
// Pacotes de fraude recuperados do C2 [1]
$pkg_webview = "com.mz.sdk" ascii
$pkg_proxy = "com.debby.devour" ascii
// Constante DELTA do XXTEA, exibida como -0x61c88647 [2]
$xxtea_delta = { 47 86 C8 61 }
condition:
// Duas familias de indicador independentes, para nao alertar por um
// unico nome de pacote que possa aparecer em codigo legitimo
($lib and 1 of ($class_*))
or (2 of ($class_*, $jar_*, $pkg_*) and $xxtea_delta)
}
É a fonte mais precisa disponível para uma instituição, e não custa nada:
A verificação mais cara é também a mais definitiva, e depende de acesso físico ou administrativo ao aparelho. Confirme se o dispositivo é certificado Play Protect, e trate a exigência de desativar o Play Protect como sinal de alerta direto, conforme o indicador do FBI [3]. A lista de modelos da seção 10 serve para essa conferência, e também para orientar compras futuras.
O malware está embarcado na imagem de sistema ou assinado com certificado privilegiado, e a restauração de fábrica ou a regravação do aparelho frequentemente não elimina a infecção. Algumas variantes instalam lançadores ocultos, aplicativos de sistema ou baixadores que reinstalam o implante após a remoção [4]. Declarar o aparelho limpo depois de um reset é a conclusão errada mais provável, e ela devolve o dispositivo à rede ainda comprometido.
A erradicação efetiva é a substituição do aparelho por um modelo certificado Play Protect. Onde a substituição não for viável no curto prazo, mantenha o dispositivo em segmento isolado, com bloqueio de saída por padrão, e trate a permanência como risco aceito e documentado, com prazo definido.
Confirmada a presença de um aparelho infectado, o escopo da investigação precisa se estender além do dispositivo, por causa das capacidades descritas na seção 06:
| Controle | Aplicação |
|---|---|
| Certificação na compra | Exigir certificação Play Protect em edital e em compra direta de qualquer dispositivo Android, incluindo projetores, painéis de sinalização e caixas de TV. É o controle de maior efeito, porque age antes do aparelho entrar [1]. |
| Segmentação de IoT | Rede separada para dispositivos não gerenciáveis, sem rota para sistemas administrativos e com saída restrita ao estritamente necessário. |
| Bloqueio por reputação de DNS | Resolvedor recursivo com bloqueio de domínios maliciosos e registro consultável, que é a única telemetria disponível para esses aparelhos. |
| Defesa antiabuso comportamental | Nos portais da instituição, controles que não dependam de reputação de IP, porque o proxy residencial anula esse sinal, conforme a seção 06. |
| Assinatura de sinkhole | Recebimento contínuo dos relatórios da Shadowserver para os blocos da instituição, com destinatário definido e processo de tratamento [4]. |
As técnicas abaixo pertencem à matriz Mobile do ATT&CK, conferidas nome a nome em attack.mitre.org [9]:
| Técnica | Nome | Relação com o caso |
|---|---|---|
| T1474.002 | Compromise Hardware Supply Chain | Backdoor embarcado na imagem de sistema antes da venda [1] [4] |
| T1474.003 | Compromise Software Supply Chain | Aplicativos populares reempacotados com o backdoor em mercados não oficiais [1] |
| T1398 | Boot or Logon Initialization Scripts | Aplicativo portador ativa o backdoor ao ligar o aparelho [1] |
| T1575 | Native API | Carga de libanl.so pela classe com.hs.app [1] |
| T1407 | Download New Code at Runtime | Descarga de p.jar, q.jar e módulos de fraude do C2 [1] |
| T1406.002 | Software Packing | Cadeias cifradas na biblioteca nativa, com XXTEA na ofuscação [1] [2] |
| T1437.001 | Web Protocols | Comunicação com o C2 por HTTP, em caminhos de URI fixos [5] |
| T1604 | Proxy Through Victim | Venda do IP do aparelho como nó de proxy residencial [1] |
| T1643 | Generate Traffic from Victim | Anúncios ocultos, WebViews invisíveis e fraude de clique [1] |
Todos os indicadores abaixo vêm de fonte aberta, e não de análise própria desta equipe. As URLs estão desarmadas de propósito, ou seja, precisam ser reconstituídas antes do uso.
Não cole a lista de modelos em uma regra de bloqueio automático de dispositivos. A fonte afirma que nem toda unidade de um modelo listado está infectada [1], e bloquear por modelo produzirá falso positivo em equipamento limpo. Use a lista de modelos para conferência de inventário e para compras, e a lista de domínios para bloqueio.
A lista completa publicada pela fonte primária traz mais de cinquenta modelos e cerca de cento e dez domínios [1]. A seleção abaixo privilegia os indicadores que as fontes descrevem com função explicada, porque indicador sem papel conhecido gera alerta que ninguém sabe triar.
| Tipo | Indicador | Severidade | Contexto e ação |
|---|---|---|---|
| Domínio | catmore88[.]com | Crítica | C2 contatado após instalação do backdoor [1]. Bloquear e alertar |
| Domínio | ipmoyu[.]com | Crítica | Serviço de proxy residencial do MoYu [1]. Bloquear e alertar |
| Domínio | admoyu[.]com | Alta | Infraestrutura do MoYu [1]. Bloquear e alertar |
| Domínio | moyu88[.]xyz | Alta | Infraestrutura do MoYu [1]. Bloquear e alertar |
| Domínio | bltproxy[.]com | Alta | Serviço de proxy residencial [1]. Bloquear e alertar |
| Domínio | bullet-proxy[.]com | Alta | Serviço de proxy residencial [1]. Bloquear e alertar |
| Domínio | app-goal[.]com | Alta | Apoio à fraude de busca paga [1]. Bloquear e alertar |
| Domínio | ads-goal[.]com | Alta | Apoio à fraude publicitária [1]. Bloquear e alertar |
| Domínio | 1ztop[.]work | Alta | Infraestrutura de fraude [1]. Bloquear e alertar |
| Domínio | tvsnapp[.]com | Alta | Infraestrutura de fraude [1]. Bloquear e alertar |
| Domínio | pixelscast[.]com | Alta | Infraestrutura de fraude [1]. Bloquear e alertar |
| Certificado | 5b3aa659cb8dece5c9a14d605c68a432b773969c | Alta | TLS autoassinado, compartilhado por dezenas de domínios da família [5]. Bloquear e alertar |
| Domínio | long[.]tv | Média | Aplicativos de anúncio oculto da LongTV [1]. Verificar caso a caso |
| Domínio | cbpheback[.]com | Média | C2 da campanha BADBOX original [1]. Caça retroativa |
| Domínio | coslogdydy[.]in | Média | Observado em telemetria de sinkhole [5]. Caça retroativa |
| Domínio | yydsmr[.]com | Média | Observado em telemetria de sinkhole [5]. Caça retroativa |
| Domínio | logcer[.]com | Média | Observado em telemetria de sinkhole [5]. Caça retroativa |
Artefatos de dispositivo, úteis para quem tiver acesso administrativo ao aparelho:
| Tipo | Indicador | Severidade | Contexto e ação |
|---|---|---|---|
| Biblioteca | libanl.so | Alta | Versão modificada, com persistência e comunicação [1]. Verificar caso a caso |
| Classe | com.hs.app | Alta | Carrega a biblioteca nativa [1]. Caça retroativa |
| Classe | com.hs.cld.Main | Alta | Baixa módulos e backdoors novos [1]. Caça retroativa |
| Arquivo | p.jar, q.jar | Média | Com os artefatos .oat correspondentes [1]. Caça retroativa |
| Pacote | com.mz.sdk | Média | Módulo de WebViews ocultas [1]. Caça retroativa |
| Pacote | com.debby.devour | Média | Proxy residencial, herdado do BADBOX [1]. Caça retroativa |
| Prefixo de APK | AppStore, HiCast, Launcher, MirrCast, PadLauncher, Update | Contexto | Tipo de aplicativo portador [1]. Apoio à triagem, não bloquear |
Amostra de modelos de aparelho apontados pela fonte primária, para conferência de inventário e de compras [1]:
| Modelo | Modelo | Modelo |
|---|---|---|
| TV98 | X96mini | X96Q |
| X96Q_Max_P | X96Q2 | X96_S400 |
| X96mini_RP | X96mini_Plus1 | X96MATE_PLUS |
| X96Max_Plus2 | X96QPRO-TM | X88 |
| TX3mini | MX10PRO | MXQ9PRO |
| Q96L2 | Q96MAX | Q9 Stick |
| KM1 | KM6 | KM7 |
| KM9PRO | M8SPROW | NETBOX_B68 |
| LongTV_GN7501E | Projector_T6P | Transpeed |
| HY-001 | TV007 | TV008 |
| Orbsmart_TR43 | Fujicom-SmartTV | iSinbox |
| ADT-3 | AV-M9 | GameBox |
libanl.so [1]. Este relatório reproduz a associação com essa ressalva, e não a trata como identidade entre as duas famílias.I-060525-PSA, 5 de junho de 2025.
Alerta público oficial. Sustenta os sinais de alerta ao usuário citados nas seções 08 e 09, em especial a exigência de desativar o Play Protect e a compra em mercados de aplicativos não oficiais.
https://www.ic3.gov/PSA/2025/PSA250605
BADBOX 2.0, relatório técnico de perfil de ameaça. Versão 2.0, emitida em 11 de setembro de 2026.
Lucas Rayan Guerra, CiberLab, uma iniciativa do Ciência Embarcada.
Classificado TLP:CLEAR: distribuição livre, sem restrição de compartilhamento.